III Julho das Pretas: "Gritaram-me negra, NEGRA SOU!"
FinalizadoEm 2022, estamos celebrando os 30 anos do 1º encontro protagonizado por Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, ocorrido em 1992, na cidade de Santo Domingo, capital da República Dominicana. Este foi motivado pelos dados alarmantes sobre a violência contra a mulher, com destaque à mulher negra, ação oportuna resultando na instituição e reconhecimento do dia 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data tornou-se uma referência para a luta e a resistência da mulher negra, indígena e de comunidades tradicionais. No ano de 2014, foi instituída no Brasil, pela lei nº 12.987, a data 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando uma das principais mulheres símbolo de resistência e importante liderança na luta contra a escravização e o racismo. E agora o calendário do Estado do Rio Grande do Norte, através da Lei nº 11.177, de 27 de junho de 2022, também institui o dia 25 de julho como dia estadual dedicado à mulher negra e à memória de Tereza Maria da Conceição Filha, mulher negra quilombola, nascida na comunidade Negros do Riacho, localizada no município de Currais Novos - RN. O III Julho das Pretas, do IFRN Campus Pau dos Ferros, teve sua inspiração inicial no poema “Me gritaram-me negra”, da poeta negra peruana Vitória Santa Cruz, que faria 100 anos no corrente ano. Nesse poema, a palavra "negra" surge, num primeiro momento, como uma forma de negação e desumanização da pessoa negra. Mas, em um processo de reflexão intensa, a palavra "negra" passa a ser ressignificada, tornando-se uma expressão valiosa da identidade e da humanidade negra. É com essa força transformadora e questionadora dos estereótipos racistas e sexistas que o III Julho Das Pretas foi pensado. Composto por palestras, mesas-redondas, rodas de conversas, mostras de filmes, falas e as escrevivências das mulheres negras do Alto Oeste Potiguar, todas essas vivências estarão formando um espaço de resistências e reflexões sobre a realidade da mulher negra brasileira dentro de uma sociedade racista e sexista. Nos dias 25 e 26 de julho, teremos uma vasta programação de atividades para pensarmos sob diferentes perspectivas o racismo e a luta das mulheres negras por mais espaços de protagonismo e afirmação. O NEABI local convida todos e todas para esse momento de formação, reflexão e compartilhamento de saberes sobre, raça, racismo e discriminação de gênero.
Sincronizado em 17/11/2025 às 15:22 (há 4 meses)