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VIII Semana da Consciência Negra: Enegrecer o Brasil: 200 anos de independência num país de marginais - 1º dia

Finalizado

A independência do Brasil, que, ao menos oficialmente, marca o fim de uma relação colonial com Portugal e a configuração de um Estado independente, tem como mito de origem o momento no qual D. Pedro I teria gritado às margens do rio Ipiranga: “Independência ou morte”. Longe de ter sido acatada sem tensionamentos, o marco da independência, ao contrário, fez efervescer movimentos de resistência contra a continuidade das explorações por parte das elites, agora nacionais. A formação de grupos negros, indígenas e quilombolas espalhados por todo o território é uma evidência disto. É retomando a imagem do “grito do Ipiranga” enquanto metáfora, que desejamos focar não no rio, em si, mas justamente em suas margens, considerando que é delas que nós e nossos olhares para esses eventos advém. Assim, falar sobre o bicentenário da independência, traz o imperativo de se questionar os alicerces sobre os quais se fundam a invenção de Brasil, o conceito de Estado moderno e seu projeto civilizatório, entendendo-o como eminentemente necropolítico e etnocida. Neste sentido, será de uma perspectiva analítica que parte das margens, que, nesta Semana da Consciência Negra, estamos convidando a falar acerca da construção de Nação e de uma independência que precisa ser questionada criticamente e transformada, rompendo com padrões hierarquizantes que reconhecem a humanidade apenas de alguns grupos e corpos, enquanto a outros, mesmo na contemporaneidade, é imposto o estigma da sub-humanidade.

Sincronizado em 17/11/2025 às 15:22 (há 4 meses)