Os índices de violência contra mulheres cis e pessoas trans aumentaram no país nos últimos anos. Será que esses números revelam uma maior divulgação de casos que, antes, estavam limitados às subnotificações de denúncias e de um menor rigor em investigações? Será que esse cenário é resultado de uma reação de homens imersos em uma estrutura machista e misógina ameaçada por pautas de direitos feministas? Os caminhos para se pensar essas questões são vários e indicam que, se, por um lado, há mais políticas públicas de prevenção e enfrentamento contra violência de gênero, por outro, há um crescimento de grupos utilizando redes sociais e ferramentas tecnológicas para disseminar e exaltar o ódio contra meninas e mulheres. E qual é o papel da educação e das instituições de ensino nesse debate? Sabemos que a cultura patriarcal estabeleceu padrões e limitações sociais reais e concretas às mulheres, assim como privações financeiras, políticas e de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Esses direitos foram adquiridos tardiamente e como resultado das diversas lutas dos movimentos feministas, sociais e racias. Será que o lugar de mulher é mesmo onde ela quiser se ainda existem tantos casos de violência doméstica e desigualdades salariais? A palestra propõe como enfoque o debate a partir de três eixos fundamentais: as violências e discrepâncias entre os papeis de gênero em âmbito doméstico e familiar; no ambiente educacional e no mercado de trabalho. Perceber e compreender a questão de gênero e a violência contra meninas e mulheres como verdadeiramente um problema social implica responder que esse problema é, sim, um problema seu, meu e de toda população.
Sincronizado em 09/04/2026 às 15:21 (há 6 dias, 12 horas)